LIVRARIA CULTURA

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Trabalhando com as Articulações

Essa foi mais uma atividade desenvolvida na EE Prof. José Benedito Gonçalves. É uma seqüência de 04 atividades e a duração é de 50 minutos e tem como objetivo trabalhar com os alunos as partes do corpo, a coordenação, socialização, noção de tempo e espaço e as articulações.
MATERIAL: bexigas e aparelho de som;
1ª ETAPA: É distribuída uma bexiga para cada aluno, eles terão que encher;
2ª ETAPA: O professor delimita um espaço na quadra, ex: meia quadra de vôlei;
3ª ETAPA: A atividade começa com um alongamento ao som de uma música ( cerca de 5 a 10 minutos);
4ª ETAPA: O professor explica a primeira atividade aos alunos, que ao ouvirem a música, os alunos no espaço pré-determinado devem tocar na bexiga somente com as mãos sem deixar cair no chão. A cada momento que a música for interrompida, o professor, deve dar outros comandos, sendo um de cada vez, começando tocando a bexiga com as mãos, depois cabeça, ombros, coxas, joelhos, pés, etc. após trabalhar com várias partes do corpo, o professor coloca a música novamente por dois minutos e deixa os alunos se movimentarem com as bexigas livremente, usando qualquer parte do corpo.( em torno de 20 minutos)
5ª ETAPA: Os alunos são divididos em duas equipes em fileira num dos extremos da quadra. Ao sinal do professor, o primeiro aluno de cada fileira deve correr com sua bexiga na mão na outra extremidade da quadra estourar a bexiga sentando em cima e depois voltar e tocar na mão do segundo da fila e assim sucessivamente, até que todos tenham participado.(em torno de 10 minutos)
6ª ETAPA: volta à calma.( Marionetes) Alunos aos pares sendo um em pé e o outro sentado um de frente para o outro. O aluno que ficar em pé deve movimentar os alunos que estão sentados sem tocá-los, usando apenas os dedos indicadores e polegares (formando uma pinça), nessa atividade os alunos devem permanecer sem conversar, os movimentos devem sem suaves, ao som de uma música relaxante. Após 5 minutos são invertidas as posições dos alunos. (cerca de10 minutos)
7ª ETAPA: Reflexão: Qual a importância da articulação na realização das atividades?
Qual a sensação de poder movimentar o colega? (atividade-marionete). Como foi trabalhar com as bexigas num determinado espaço?
Registro: fazer um relatório sobre a importância da articulação no nosso movimento do dia-a-dia?


Uma Aula Muito Interessante-Ciclo I !!!


Quando em 1997, ao realizar um curso à distância sobre Educação Física relacionada à saúde realizado pela UNICAMP, li num dos módulos a respeito de uma aula dada que achei muito interessante que leva o aluno a compreender o funcionamento de seu próprio corpo em movimento, especificamente do aparelho cardiocirculatório.
A seguir, transcrevo a parte dessa aula ministrada em uma classe de alfabetização de uma escola pública municipal, cuja média de idade dos alunos era em torno de sete anos:

PROF: bom dia, turma! Tudo bem com vocês? Bom, antes de começar a aula, eu queria saber se vocês conhecem bem o corpo de vocês. Vamos ver... Todo mundo aqui tem coração?
TURMA: sim! Responde a turma, com bastante convicção.
PROF: E vocês sabem onde fica o coração?
TURMA: Aqui, ó! – os alunos batem no peito.
PROF: Muito bem! Vamos sentir o nosso coração batendo?
Os alunos colocam a mão no peito para sentir o coração.
PROF: Pessoal, que tal a gente fazer uma experiência com o nosso coração? Vocês topam?
TURMA: Topamos! – responde a turma em coro.
PROF: Então, todo mundo correndo rápido até a parede amarela! Vamos lá! Ida e volta! – grita o professor, gesticulando, procurando incentivar os alunos a correr.
Os alunos vão e voltam correndo.
PROF: quem chegou, coloca a mão no coração! Ele está batendo mais rápido ou mais devagar?
TURMA: mais rápido!
PROF: E o coração do colega? Vamos sentir o coração do colega?
As crianças procuram sentir o coração do colega ao lado.
PROF: Como o coração do colega está batendo?
TURMA: Também está rápido!
PROF: Por que ele está batendo mais rápido?
TURMA: Porque nós corremos!
PROF: Ah, porque vocês correram...Muito bem! E, se a gente ficar parado, o coração vai bater mais rápido ou mais devagar?
TURMA: Mais devagar.
PROF: E por que o coração bate? Quem sabe?
TURMA: Para a gente viver. Se ele parar, já era.
PROF: Muito bem! Vamos fazer outra experiência? Então...Todos correndo rápido até a parede branca!
Os alunos vão e voltam correndo.
PROF: Quem chegou, coloca a mão no pescoço! Estão sentindo alguma coisa batendo?
TURMA: Estamos.
PROF: Quem sabe o que é que está batendo no pescoço?
TURMA: O coração. – Respondem alguns alunos.
PROF: Ué! Tem coração no pescoço?
Os alunos ficam em dúvida. Alguns respondem que não.
PROF: Vocês não me disseram que o coração fica no peito?
Diante da contradição, os alunos são obrigados a rever sua resposta. O professor deve esgotar todas as possibilidades na tentativa de levá-los a saber que o que estão sentindo é o pulsar de uma ‘artéria’, e não o coração.
PROF: Então, o que é que está batendo no pescoço?
TURMA: É a ‘veia’. – respondem alguns alunos.
PROF: É quase isto, só que neste caso chama-se ‘artéria’ e não ‘veia’. Vamos fazer outra experiência? Todo mundo correndo até o poste verde!
Os alunos vão e voltam correndo.
PROF: Todo mundo coloca a mão no sovaco! Tem alguma coisa batendo aí? O que está batendo?
TURMA: Tem. É a ‘artéria’.
PROF: Mas por que a ‘artéria bate’? Será que ela fica rebolando sozinha? – o professor rebola e as crianças riem – quero ver, quem sabe o que é que tem dentro da ‘artéria’?
TURMA: É sangue - respondem alguns.
Geralmente, alguns alunos sabem que há sangue dentro da ‘artéria’. Mas, se ninguém responder, o professor pode partir para a seguinte estratégia:
PROF: Alguém pode me mostrar uma ‘artéria’?
Os alunos mostram, geralmente, a do punho.
PROF: E o que é que tem aí dentro da ‘artéria’ que vocês estão me mostrando?
TURMA: Sangue. – neste caso, é mais fácil para os alunos responderem, porque estão vendo a ‘artéria’ e o sangue que está dentro dela.
PROF: muito bem! E quem é que joga o sangue para dentro da ‘artéria’? Quem sabe?
TURMA: É o coração.
A maioria da turma responde com convicção. Os alunos parecem relacionar facilmente que a batida que sentem na ‘artéria’ provém do coração, que antes sentiram bater no peito.
PROF: Muito bem! Então o coração bate e joga o sangue pras ‘artérias’, certo? – Recapitula o professor.
TURMA: É
PROF: E me digam aqui mais uma coisa, tem ‘artéria’ no sovaco?
TURMA: Tem.
PROF: Tem ‘artéria’ no pescoço?
TURMA: Tem.
PROF: Tem ‘artéria’ na barriga?
TURMA: Tem.
PROF: Tem ‘artéria’ na perna?
TURMA: Tem.
PROF: Tem ‘artéria’ na bunda?
TURMA: (risos)Tem!
PROF: Tem ‘artéria’ no cabelo?
Embora a grande maioria dos alunos responda que ‘não’ alguns dizem ‘sim’ enquanto outros ficam na dúvida. Neste caso, é fundamental evidenciar mais uma vez as contradições para esses alunos:
PROF: Vocês me disseram que tem sangue dentro da ‘artéria’?
TURMA: Dissemos.
PROF: Então, se cortar a ‘artéria’, sai sangue?
TURMA: Sai.
PROF: E quando vocês cortam o cabelo, sai sangue?
TURMA: Não.
PROF: Então, tem ‘artéria no cabelo?
TURMA: Não.
PROF: E na unha, tem ‘artéria’?
TURMA: Também não.
Alguns alunos ainda ficam em dúvida, porque quando cortam a unha sai sangue. Neste caso, é importante esclarecer que o sangue sai porque eles cortam a pele abaixo da unha, e não porque cortam a unha.
PROF: Muito bem! Que turma inteligente! Então, todos aqui já sabem que o coração bate mais rápido quando nós corremos; bate mais devagar quando ficamos parados e, quando ele bate, joga sangue para as ‘artérias’ que estão pelo corpo todo, menos no cabelo e nas unhas. Certo?
TURMA: Certo.
PROF: Que turma inteligente!

7 comentários:

Cláudia disse...

Muito legal, Nilton!
Belo trabalho!

rosane.veiga disse...

Parabéns pelo seu trabalho é 10 e obrigado por dividir com a gente, pois através dele é possivel criar novas possibilidades adaptadas a realidade de cada escola!!!

Plinio disse...

Simplesmente D +. É fácil saber quando alguém ama a sua profissão, através de exemplos.

Andréia disse...

Olá Nilton! Parabéns pelo seu blog e principalmente pelo seu trabalho. Sou estudante de Psicologia e no semestre passado fiz um trabalho com crianças da periferia com Jogos Cooperativos e Psicodramáticos, foi muito bom. Atualmente faço estágio em um Centro de Referencia da Criança. Estou pensando em continuar esse trabalho com as crianças desse local. Mas, tenho pouco material de Jogos Cooperativos, imaginei que vc poderia me dar algumas dicas, caso vc tenha e se for possível. Desde já agradeço e Parabéns pelo seu trabalho, continue assim.
Abraço.

JULIANA disse...

Olá Professor! meu nome é Juliana tenho 12 anos e estudo no E.E.Lauro Gomes de Almeida uma escola estadual de São bernardo o perioda de aula lá é um tanto puxado é das 7:00 da manhã até as 16:10 da tarde!!! Mais eu adoro educação fisica e quero ser uma professora bem legal que faça atividades bastante diferentes para que eles meus alunos possam se lembrar de uma professora legal e bem divertida!!!

estevao disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
THIAGO ARRUDA disse...

Gostaria de parabenizar ao Prof. Nilton pela atividade. Uma das melhores que já vi em toda a minha vida. Parabéns.